Cooperativismo financeiro e desafios da nova década, por Ênio Meinen

A presença do cooperativismo financeiro em nosso país acaba de alcançar 117 anos

  • 20 Janeiro
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Como narra a história oficial, o movimento, dada até mesmo a ousadia da iniciativa e o seu grau de complexidade para a época, já iniciou com muita dificuldade no limiar do Século XX, mas não demorou a decolar entre nós. Depois de longo período de progresso, contudo, entre os anos de 1960 e meados de 1980 passou por grave adversidade, vinculada a problemas de gestão e desestímulo institucional. Mas, tal como no princípio, o setor soube buscar a superação e reinventar-se, logrando desenvolver-se ininterruptamente de lá para cá.

A nova década, por sua vez, inaugurada com os primeiros dias do ano em curso, torna mais visíveis e recomenda a pronta implementação de alguns desafios pré-existentes, bem como descortina outros decorrentes da revolução em andamento no mercado financeiro e entorno.

A inadiável racionalização da estrutura intrassistêmica, sobretudo por meio da consolidação do número de cooperativas de 1º e segundo níveis, reavaliação e verticalização de componentes organizacionais e revisitação do número de dirigentes, deve ser acompanhada de ações concretas de cooperação intersistêmica. Com isso, reduzir-se-ão desperdícios do lado das despesas de custeio e de investimento, influenciando positivamente a variável redutora da eficiência operacional.

A boa notícia é que essas providências dependem unicamente do próprio segmento.

Do lado das receitas (variável potencializadora da eficiência), o foco continua sendo a escala das operações e do público assistido, que, ademais, levam à mitigação dos riscos do relacionamento concentrado. As condições externas, todavia, mudaram, passando a contemplar um conjunto de novos ingredientes.

Com efeito, estamos diante de mudanças relevantes no modo de fazer e de operar, e teremos de buscar nossos objetivos convivendo com mais e mais entrantes (concorrentes) heterodoxos e competidores convencionais em transformação. Ao mesmo tempo, precisamos reeducar-nos em face do novo patamar de juros e spreads, que impõe drásticos impactos nos resultados decorrentes de operações de intermediação financeira, além de exigir ajustes no portfólio de investimentos para atender às exigências dos investidores.

Como se não bastasse, serão intensificadas as chamadas plataformas multiprodutos e multi-instituições, também conhecidas como marketplaces (ou shopping centers virtuais), em cujos ambientes todos ofertarão produtos de todos.

Associado ao fenômeno da “plataformização”, emerge também o open banking, que é de longe a mais transformadora de todas as inovações. Com a transparência absoluta dos modelos operacionais, o usuário (cliente ou cooperado), agora dono efetivo dos seus dados, poderá eleger com segurança as melhores soluções do mercado, estimulando verdadeiramente a competitividade entre os vários provedores de produtos e serviços financeiros (bancos, cooperativas, fintechs e outros).

Todas essas iniciativas, ao lado de muitas outras, notadamente concernentes ao processo de evolução tecnológica (a exemplo da implementação do disruptivo ecossistema de pagamentos instantâneos, prevista para novembro de 2020), contam com amplo incentivo do Banco Central do Brasil, ancoradas que estão na Agenda BC#, cujo núcleo aponta para a democratização financeira no Brasil.

Eis, portanto, alguns dos desafios cuja companhia nos será inevitável doravante. Com o aprendizado de outrora, e sem descuidar do que nos torna exclusivos, saberemos ser resilientes acompanhando a marcha do tempo.

Que os anos 2020, pois, nos sejam virtuosos, permitindo que intensifiquemos a promoção da justiça financeira e da prosperidade socioeconômica por todo o país!

Última modificação em Segunda, 20 Janeiro 2020 12:44